[CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS]

Hoje é dia do trabalho. Ainda que menos gente trabalhe hoje. Ainda que muita coisa seja trabalho mesmo que a gente não considere como tal [na cultura dominante].

Bom, nesse dia do trabalho, informo que o [CACOS] ficará fora do ar por tempo indeterminado. Estou com muitos pensamentos e planos e mudanças são necessárias.

Quando [e se] voltar eu informo pras pessoas que dividiram o e-mail comigo.

INTÉ!

"Contam alguns viajantes que o índio a princípio não recebia nome, mas o adquiria e seu nome era sua reputação. Em algumas tribos, a cada nova façanha recebia um novo nome relativo a tal acontecimento", Henry David Thoreau

To adorando andar de trem na periferia de São Paulo.

No começo fiquei chateado, mas a quantidade de estórias que acontecem todos os dias enriquece o meu dia.

Hoje entrou um rapaz falando de Deus.

Ele dizia que as mulheres não podem se depilar, cortar o cabelo, pintar o rosto e aumentar ou diminuir o corpo. Ele bem que tinha o cabelo cortado e um bigodão terrorista.

Convidava os que estavam ali para se reunir com os outros da tribo dele, pois todo mundo ainda tinha salvação.

Podia estar na prisão das drogas ou na prisão detido. Eram bem-vindos ao culto.

O trem estava cheio e muita gente podia ouvi-lo, mas não podia vê-lo. Assim outra tribo do vagão, começou a chama-lo e pedir as pregações do outro lado.

Ele deu um sorriso.

Enquanto isso pensei em muitos nomes pra ele.
"Num incêndio, se tivesse que escolher entre salvar um Rembrandt e um gato, eu salvaria o gato. E depois o deixaria partir", Alberto Giacometti

O amor é doce.

A felicidade é vibrante.

A cumplicidade é aconchegante.

A lascividade é azul.

O desassossego é rotina.

Ás vezes falta ar.

A falta de ar é amarga.

 
"In a word, each man is questioned by life; and he can only answer to life by answering for his own life; to life he can only respond by being responsible", Viktor Frankl, Man's Search for Meaning
[Em poucas palavras, cada homem é questionado pela vida; e ele apenas pode responder através de suas próprias ações; para a vida só se pode responder sendo responsável]


Quando era jovem, minha nona sonhou com uma senhora vestida com um vestido longo e rodado. Esta senhora segurava libras esterlinas num cesto produzido pelo vestido [como se estivesse colhendo frutas].

 
A senhora batia as mãos no vestido fazendo tilintar as moedas [eu nunca me lembro dos sons nos meus sonhos]. Ela dizia:

- Manda rezar missas, manda rezar missas, Mélia. Manda rezar missas pra mim e eu te dou todas essas esterlinas aqui.

A nona dizia que não podia mandar rezar tantas missas porque ali tinha muito dinheiro e ela não tinha como pagar por tantas missas.

Quando a nona acordou lembrou-se do sonho [senão eu não poderia estar contando] e foi até a cidade. Pagou então pela missa para a senhora.

A partir desta data os nonos começaram a melhorar de vida [e trabalharam muito pra isso].

"Como se acuerda con los pájaros
la traducción de sus idiomas?", Pablo Neruda
[Como se combina com os pássaros a tradução de seus idiomas?]


Da última vez que estive na Índia fui visitar uma fazenda produtora de frutas.

As cores eram lindas e se misturavam com as cores dos indianos. Peles e vestidos. Maçãs douradas e batas vermelhas. Luzes opacas e névoas brilhantes. Mangas amarelas e chão de terra.

Começou a chover e a água escorria por dentro das tendas molhando o chão.

Trouxeram um guarda-chuva transparente para mim, mas não saíram do lugar. Só nesse momento reparei em alguns pássaros que se acotovelaram em baixo do único ponto seco. Eles também deviam estar olhando o espetáculo de cores [e as frutas].

 
Mas como você pode falar do futuro, de oferecer a sua família um futuro seguro, quando sabe muito bem que o futuro é ilusório?

Sabia que esta é a armadilha inventada pelo sistema, qualquer sistema, para assustar as pessoas e forçá-las a se curvar a autoridade, a trabalhar como escravas por medo do maldito futuro?

O que é o seu futuro seguro na verdade? Você se tornou clarividente? No seu trabalho, eles prometeram que não haveria mais acidentes, cirrose, câncer ou assaltantes que atiram em você de repente?

Concordo, falhei na doutrina, mas você não pode pensar por si mesmo? Vamos ver se você agora vai me falar de esperança, da necessidade de se ter fé, irmão, porque a salvação está a caminho e essa droga toda!


no filme Lugares Comuns
"O pior inimigo que você poderá encontrar será sempre você mesmo", Nietzsche

 
Lucas continua comparecendo às reuniões dos Vicentinos com os pais.

Semana passada teve uma missa especial.

No começo ele até ficou sentado junto com as irmãs, mas os pais esqueceram de revezar no
 
momento da consagração e levantaram juntos para tomar a hóstia [será que é tomar a hóstia mesmo?].

Lucas levantou-se e começou alimentar sua curiosidade no local. Viu as imagens do calvário nas paredes. Observou a moça que tocava
 
no órgão e chegou ao altar.

Nesse momento sua curiosidade derrubou as galhetas [a curiosidade chamava de jarrinhas] e quebrou tanto a de vinho quanto a de água.

O padre segurou-o pelo colarinho e perguntou
 
quem era a mãe do menino. Pediu que ela o encontrasse na sacristia ao final da missa.

Resultado: o padre ganhou um coroinha vitalício [pelo menos até agora].

As irmãs costumam cantar pra ele: Pai!
 
Afasta de mim este cálice, Pai!
"No objeto, amamos o que nele pomos de nós mesmos, a harmonia que estabelecemos entre ele e nós, a alma que ele adquire somente para nós e que é constituída das nossas lembranças", Luigi Pirandello, O Falecido Mattia Pascal

 
A Clara tem assistido todos os dias o filme da Pequena Sereia!

Assim que termina, ela pede pra colocar de novo.

- Vamos ver hoje o da Hello Kitty?
- Eu queria o da Pequena Sereia mesmo.

[Pelo menos ela saiu da fase Xuxa Abracadabra].

Eu pensava que as crianças ficavam repetindo os desenhos por causa da familiaridade, porque um filme novo era desconhecido, por resistência a mudança.

Aprendi que elas vêem o mesmo filme várias vezes pra dominar a essência do filme e aprender. Por isso o ensino deve ser repetitivo.

Ainda assim queria entender porque é que ela viu tantas vezes Xuxa Abracadabra.

"Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida. Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos", Graciliano Ramos

Eu e uma das minhas primas fomos almoçar ontem.

Ela não dirige, por isso a deixei em casa.

Quando estávamos chegando em sua casa ela me pediu um favor.

 
A casa tinha sido recém pintada, mas o marido achava que estava tudo igual e a nova pintura tinha sido desnecessária.

O favor era entrar em casa e perguntar a respeito da pintura e ainda dizer que a pintura tinha ficado excelente e distinta [na frente do marido].

O plano seguiu:

- Você pintou as paredes?
- Sim, faz duas semanas mais ou menos.
- Ficou ótimo. Não é a mesma cor, é?
- É sim.
- Nossa! Está muito mais vivo do que antes. Você não acha, Alceu?
- Ah, sim! Ficou muito bom, né?

De certa forma isso é arte também.

"Como é que você sabia que ele estava lá dentro?", Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia

A Clara continua com dúvidas. As vezes elas se repetem.

- Como é que você sabe que tem um bebê aí dentro?
- A mamãe foi ao médico.
- E como é que o médico sabe?
- Ele faz um exame.
- Que exame?
- Ele passa uma gelatina na barriga da mamãe e um aparelho mostra o bebezinho.
- Como você sabe que não é um cachorrinho?
- De gente só pode nascer gente, do mesmo jeito que um cachorro só pode ter um cachorrinho.
- Ou vários.
- É!
- Seria legal se você pudesse ter cachorrinhos. Com um barrigão desses ia nascer um monte.

 



[VER MENSAGENS ANTERIORES]
[Visitante Número]


Se quiser envie sugestões, comentários, dúvidas, reclamações e [CACOS] para: cacos.cacos@uol.com.br

[CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS][CACOS]